Em tempos que já lá vão a minha mãe fazia-me destas camisolas em lã.
Umas demasiado compridas e outras que encolhiam à primeira lavagem.
E agora que me lembro delas reparo que não lhes sei o paradeiro...
Que fazes esta expressão quando te peço.
Que mudas do botão para o rectângulo provocando-me um riso puro.
Hoje é dia de festa.
E terá de o ser, por baixo, durante mais 30 anos.
Prepara-se a festa.
Enchem-se os balões, estendem-se as fitas.
Em qualquer esquina o cheiro da sardinha, do manjerico e da cerveja fresca caída no chão.
O pede dança, o pede licença, ou o pede beijo.
Vale tudo, são as Festas de Lisboa!
Hoje começa para Portugal o campeonato da Europa '12.
A opinião pública está dividida mas não tenho dúvida de que
se sairmos vencedores a moral vá aumentar.
E que as bandeiras saiam à rua orgulhosamente hasteadas.
Com certeza que quando se chegou à conclusão de que o objecto usado para limpar as beiças
se iria apelidar de guardanapo, não contavam que algures na evolução,
iria perder toda a pujança e tratar-se de uma fina e frágil folha de papel.
Desculpa, desculpa, desculpa.
Cospem-se desculpas, vomita-se a desculpa mas não se a pede.
Não se sente. Nesse caso mais vale engoli-la.
Experimenta na próxima um culpa-me.
Sou totalmente a favor da mistura.
Do resultado de se intrometer, confundir, juntar-se.
Mas nunca o café com o leite.
Que esse é o mistério da longevidade do Manoel.
Automatismo é originado pela falta de pensamento.
Não querendo acreditar que os nossos excelentíssimos governantes são burros,
porque raio ceifar na cultura?
Querem-nos ignorantes.
Pensar uma coisa, dizer outra.
Pensar que se tem uma expressão na cara, quando se tem outra.
Pensar no tom com que se quer dizer algo, e dizê-lo com outro diferente.
Não pensar.
Não avaliar.
Fantasma.
Com tanto wireless, comida química e
lixo a entrar-nos nos ouvidos a toda a hora,
não faltará muito para sermos pequenos robots.
Iguais e apenas com um objectivo: reprodução.
É um prazer caminhar na natureza.
Saltitar de calhau em calhau com a mesma delicadeza com que se pisa um nenúfar.
Os nenúfares milenares da serra de sintra.
Porque um país sem cultura não tem futuro
Porque um país sem cinema não tem memória
Para todos os que se recusam a assistir passivamente ao seu extermínio,
vamos projectar, ao ar livre, mais de 100 anos de cinema português.
Pela aprovação da nova lei do cinema!